sobre ouvir e fazer música

Publicado: outubro 29, 2011 por GG em Musicrônica

Eu pretendia escrever um resenha sobre um dos últimos cds que comprei, mas uma conversa interessante que tive com meu amigo Gaúcho acabou me levando a escrever algo mais interessante pra todo mundo e ainda assim relacionado ao que eu queria dizer sobre o tal disco (que vem a ser o A Dramatic Turn of Events, do Dream Theater).

O assunto começou quando eu relembrei a minha “evolução” de gosto musical – e trato evolução aqui como mudança no tempo, não necessariamente pra melhor, caso você discorde do meu gosto.

Lá pros cinco ou seis anos, eu ouvia sertanejo e o que mais tocasse nas festas da família ou no rádio da minha mãe, o que é normal pra idade. Fui na onda pop (sim, ouvia Spice Girls, Backstreet Boys, N’Sync, essas coisas) até os onze ou doze, quando passei a ouvir Gala e outras músicas eletrônicas. Até chegar no rock aos 14, entrando pela Legião Urbana, depois descobrindo Pink Floyd, Guns N’ Roses, Angra, Dream Theater e, há uns três anos, Queen, minha banda preferida, Savatage e Iron Maiden mais recentemente.

pull my finger!

pull my finger!

O ponto na discussão era exatamente a amplitude da mudança de gosto. Houve épocas em que não suportava metal pesado, mas agora é a base da minha biblioteca; porém ela está recheada de bandas progressivas e rock clássico ou mais pop, pra botar na lista também Genesis, Bon Jovi, Led Zeppelin, Judas Priest, Rush. Por último, entraram Queensrÿche e Fates Warning. Quem conhece um mínimo dessas bandas sabe o quão variado é isso.

Eu não aguentaria ouvir as mesmas músicas, a mesma banda ou poucas bandas todos os dias. Por isso tantos estilos diferentes na minha playlist. Mas…. e os caras das bandas, aguentam? Aguentam tocar as mesmas músicas todo dia?

E quando eu pensei nisso, eu senti um calor no coração (ui) ao compreender os sentimentos de todas as bandas que são criticadas por mudarem seus estilos, por evoluírem seu som com o tempo. Se os fãs, que em sua maioria não entendem porcaria nenhuma de música, podem mudar seus gostos, porque não podem os ídolos?

A Dramatic Turn of Events é mais um exemplo disso. O Dream Theater, adivinhem só, tem sido criticado por supostamente ter tentado “refazer” um de seus discos das antigas. Durante muitos anos foi criticado por mudar a direção das composições, como em Falling Into Infinity e Train of Thought, e agora são criticados por voltar atrás. Eu achei o disco novo sensacional, quase no nível dos seus melhores (Images & Words e Scenes From A Memory), e mesmo que eu tivesse achado uma bosta, como achei que foi Octavarium, minha crítica seria ao som e não à postura do grupo.

Também li críticas ao Iron Maiden quanto ao seu The Final Frontier, por também terem uma suposta mudança, e olha que eles mudam muito pouco. Eu fico imaginando se os caras não pensam, vez ou outra, em gravar uma lambada, ou uma catira, ou qualquer coisa diferente, se não ficam enjoados do metal clássico que fazem em todo disco. Aí eu lembro da carreira solo do Bruce Dickinson e percebo que ele já teve seu tempo de saco cheio e mudança de ares.

Por isso, antes de meter o pau na sua banda preferida só porque eles botaram um axé no meio do disco de doom metal, tente pensar no lugar dos caras. Aprecie a mudança, porque ela também faz parte da obra. Levando as coisas por esse lado, dá até pra se divertir com os discos de tuntz-tuntz do Freddie Mercury, por exemplo:

Aliás, minha sugestão: estude música. Você vai ouvir tudo de um modo diferente, e faz muito bem pra cabeça.

E pra finalizar o assunto: fiquei de saco cheio das minhas músicas esses dias, e resolvi usar o serviço de rádio da last.fm, o site que eu já usava pra guardar minhas estatísticas (se você usa, me adicione lá). Botei no modo de recomendações, baseado no que eu já ouvia, e conheci bandas muito legais: Seventh Wonder, Darkwater, Opeth, Evergrey, Redemption, Shadow Gallery, Spheric Universe Experience, Orden Organ. E pude conhecer um pouco mais de velhas bandas, como os progressivos Premiata Forneria Marconi, Yes, Emerson, Lake & Palmer, Rick Wakeman, Van der Graaf Generator, e os classic metal Saxon, Manowar. Já tenho agora uma lista muito boa pra variar minhas playlists por uns 15 anos.

About these ads
Comentários
  1. Ron Groo disse:

    É isto ai! Viva a diversidade musical.
    Na minha discoteca é possivel achar discos do Chico Buarque encostados nos do Black Sabbath.

    Mas me perdoe…Dream Theather eu não consigo gostar. É firula demais.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s